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  • Foto do escritorTati Fanti

É sempre mais verde...(talvez ela seja artificial...)



Não adianta, deve ser algo intrínseco ao ser humano: achar que a grama dele está sempre capenga. Acontece com todo mundo - e não adianta você balançar a cabeça negando; em algum momento da sua vida, mínimo talvez, você olhou para a grama do vizinho e disse: a dele está mais verde mesmo.


Recentemente comecei a assistir "Asas da Ambição", um seriado turco que está na Netflix. Ele conta a história de Asli, uma recém-formada em jornalismo e obcecada por Lale Kiran, a âncora de telejornal mais famosa do país. Asli, que tentou expressar seu amor a Lale em um evento na faculdade, ouviu de sua "ídola" "vá atrás das notícias e não das pessoas". Pois bem, o que era amor virou raiva e a história se desenrola com Asli tentando de tudo para destruir Lale. Em um determinado momento da primeira temporada, durante uma conversa (barraco, na verdade) Asli diz a Lale que ela tem tudo, a vida perfeita. Eis que Lale ri e passa a narrar o que de fato acontece em sua vida. Tá, Tati, ficção é assim mesmo... Acontece que o mesmo se passa na vida.


Hoje encontrei uma amiga logo cedo para tomar café. Ela tem dois filhos na pré-adolescência, "crianças" super adoráveis e que a gente gosta de ter por perto. Eu confesso que muitas vezes a via com os filhos e pensava "queria poder ter sido assim com a Madu; talvez ela tivesse um começo de adolescência diferente". Corta pro café de hoje com a minha amiga me contando que os dois filhos estão de castigo porque aprontaram. Ou seja, o retrato de vida perfeita que EU CONSTRUÍ sobre a minha amiga caiu por terra. Perrengues da maternidade tenho eu, tem ela, tem você e até a Michelle Obama.


A questão - e aqui não incluo essa minha amiga, que nem Instagram tem - é que as redes sociais potencializaram o sentimento de "a melhor grama é a do outro" porque, claro, as pessoas só mostram o lado bom da vida na internet. A gente coloca nosso melhor sorriso, as fotos mais lindas da família de comercial de margarina, o cachorro pulando feliz no jardim florido. E o outro vê aquilo e, mesmo adultos que somos, acreditamos que aquela é a realidade do outro. A verdade é que olhamos sempre a grama verde do vizinho e esquecemos que ela é artificial. Ou pelo menos que aquele recorte tão lindo é artificial. O lado do muro que a gente não vê, tenha certeza, tem grama tão capenga quanto a nossa.


E por que falar disso nessa "Carta Pra Você"? Porque se buscamos tanto uma autenticidade de fato e não de palco, precisamos aprender a compartilhar parte da nossa vulnerabilidade. Não me refiro a criar um feed que afugente as pessoas, repleto de reclamações e de "ó vida, ó azar". Mas admitir que a grama nem sempre é verde; que de vez em quando a gente pinta ela com uma tinta spray porque....bom, porque é mais bonito.


E sabe por que também? Quando temos coragem de mostrar nossas vulnerabilidades não nos tornamos mais fracas ou piores; nós damos espaço para quem precisa compartilhar as suas próprias fraqueza se sinta confortável em levantar a mão e dizer "eu preciso de ajuda". Pense nisso.


Um beijo e até a próxima carta,


Tati Fanti



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